inicio
- Por obra de Georges Durand, Charles Faroux e Emile Coquile,
este último o patrão e director da revista jornal "Roue Fil", criticava
abertamente o automóvel da época. Achava que os carros não obedeciam aos "items" de
segurança e "performances" apresentados pelas publicidades das marcas construtoras,
pensava que a competição e fundamentalmente, a corrida de resistência, seria a prova
final para verificar o que era publicitado.
"Lançar os pilotos e construtores para uma preparação sempre mais minuciosa referente
aos modelos comercializados e, pelo facto, verificar - experimentando - as dificuldades,
aumentando a duração das corridas de automóveis convencionais."
Esta foi a base para um regulamento que
implicava:
a) Prova internacional a disputar no circuito de La Sarthe, a 26 e 27 de Maio.
b) Os carros inscritos deverão apresentar-se, em todas as especificações,
rigorosamente conformes com a descrição no catálogo comercial de venda das viaturas.
c) os carros inscritos deverão possuir uma carroçaria de turismo
"Bona Fide" e incluir guarda-lamas, apoios de pé, lanternas, faróis, capotas buzinas e
ainda, um espelho retrovisor. Um júri excluía qualquer viatura que não achasse conforme
estes "items".
d) A manivela de arranque será colocada na caixa de
ferramentas para todos os concorrentes cujos carros possuam de catálogo, motor de arranque
eléctrico. Os carros até 1100 cm3 deverão possuir carroçaria de dois
lugares CONFORTÁVEIS. Todos os outros deverão ter quatro lugares.
e) Impões-se a cada concorrente uma distância mínima a percorrer
durante um período de 24 horas assim como uma média horária mínima.
Exemplos: 1100 cm3 de cilindrada (920 km e uma média de 38.333 km/h).
2000 cm3 (1200 km e 50 km/h de média)
3000 cm3 (1350 km e 56.250 km/h de média)
6500 cm3 (1600 km e 66.666 km/h de média)
f) De 6 em 6 horas os comissários de prova procederão à
eliminação imediata das viaturas que não obedeçam às
quilometragens exigidas como mínimas, no esquema seguinte:
às 6 horas de prova a quilometragem com 20% de não penalização;
às 12 horas, a margem de atraso aceitável baixaria para 15% da quilometragem exigida;
às 18 horas de prova a margem era fixada em 10%.
g) Seguiam-se os prémios em disputa, fundamentalmente a
"Taça RUDGE-WITWORTH", que seria atribuída à mesma marca que
gaanhasse a prova POR TRÊS ANOS. Uma miniatura de bronze,
desta Taça, seria distribuída anualmente.
Note-se que interessava a Marca construtora, independentemente
do modelo e cilindrada da viatura.
h) As pesagens serão realizadas em Le Mans no dia 25 de Maio,
pela ordem de partida.
i) A partida será dada, simultâneamente, a todos os concorrentes
que estarão dispostos na pista por ordem decrescente de cilindrada (note-se
que na primeira edição não existiam treinos cronometrados).
j) As cores dos carros serão as fixadas pelo Automobile Club de France e são:
França - Azul, Itália - Vermelho, Bélgica - Amarelo,
Inglaterra - Verde, USA - Branco faixa Azul.
Os números dos carros seriam sorteados, jogando com a ordem de partida.
k) Cada carro concorrente terá apenas um piloto a bordo,
se bem que a equipagem possa incluir dois pilotos por carro.
Poderão subtituir-se à vontade. Será colocado um lastro
de 60 Kgs debaixo dos bancos dos passageiros, na proporção dos
lugares de cada viatura.
l) Todas asreparações só poderão ser efectuadas
pelos pilotos. As assistências apenas poderão facilitar,
expondo sobre uma superfície próxima do carro, todos os
utensílios, ferramentas e peças necessárias à reparação.
m) Os reabastecimentos de combustível e óleo serão
unicamente realizados nas boxes, cuja colocação será sorteada.
O consumo não será limitado. Os reservatórios serão selados
e, após cada reabastecimento, na presença de um comissário, serão,
de novo selados. O tempo de paragem não será descontado na média
horária da prova.
Assim nasceu, depois de consultado o Instituto Meteorológico
da época, a primeira edição das 24 Horas de Le Mans, que se
intitulavam GRAND PRIX d´ENDURANCE de 24 HEURES
"COUPE RUDGE-WHITWORTH", usando-se um circuito de estradas
com 17.262 km.
A organização coube ao "AUTOMOBILE CLUB DE L'OUEST",
entidade fundada em Janeiro de 1906.
|

Georges Durand

Charles Faroux

Emile Coquille
|
1923
Prova aberta só a construtores, estiveram presentes 33 carros, de 3 países
diferentes e distribuídos por 17 marcas distintas.
No principio de Maio apenas 3 construtores testaram o circuito: Chenard & Walker,
Lorraine e Bignan. Foram ainda inscritos 2 Voisin e 2 Buc que não se apresentaram
na partida. O tempo pregou a primeira machadada na prova. Na véspera uma violenta
tempestade de granizo indundou o traçado e surgiu a lama, obrigando a cancelar um
espectáculo de fogo de artificio já programado, e afastando muitos possíveis
espectadores. As nuvens cinzentas carregavam um céu de chumbo, afectando a visiblidade
e criando problemas de iluminação nos farois de muitos concorrentes. Dada a partida,
Lagache, o futuro vencedor,
comandava no final da primeira volta, se bem que os Bignan, Lorraine, Excelsior e
Bentley se mantivessem na luta. O
Excelsior nª2
afunda-se nas areias de Mulsanne e retoma a prova com muito atrazo (seria o 9º no final).
O único Bentley
em prova, e o mais perigoso "outsider", começou a sentir problemas de travões, e
sempre pecou por faróis ineficazes, atrasou-se irremediavelmente, terminando em 4º,
mas mesmo assim rubricando a volta mais rápida establecendo o primeiro record de
volta em Le Mans: 9m 39s à média de 107.328 km/h.
O primeiro abandono verificou-se com o SARA nª31
à 14º volta, com problemas de suspensão na sequência de uma saída de pista. O
Berliet nª13
abandonou à 44ª volta e o Lorraine nª6
saíu à 50ª volta. Apenas 3 abandonos entre 33 carros. Até hoje este record não foi batido.
O piloto do Bugatti nª29
René Marie, teve
que percorrer 10 Km a pé para ir ao seu stand buscar combustível (4 de ida e 5 de regresso),
pois o seu carro furara o depósito. Terminou em 22º. A Chenard & Walker obteve
os dois primeiros lugares da prova. O segundo Chenard
(o nº10) foi
protagonista de um choque com o
Bignan nº23,
mesmo na linha de chagada. Terminaram em segundo e terceiro obtendo um pódium para
a França. O único Bentley, só com um farol operacional, uma saída de pista, uma pane seca
(uma pedra rompeu o depósito de combustível) arrecadou o recor da volta e o 4º lugar
da geral.
A meta dos 2000 Km foi ultrapassada pelos dois Chenard & Walker (separados por 4 voltas,
establecendo novo ercord do Mundo com 21 horas, 41 minutos e 20 segundos. Três
viaturas aguentaram 24 horas sem mudar um único pneu: os dois Brasier
nº17 e
nº18 e o
Berliet nº12
(19º na geral).
- É realizada a 1ª Edição, com a participação de 33 concorrentes, dos quais
só 3 desistiram, um record até hoje inalcansável.
- Os vecedores são os Franceses
André Lagache e
René Leonard,
que pilotaram um carro Françês
"CHENARD ET WALCKER SPORT"
, com 4 cilindros e 2978 cc, equipado com pneus MICHELIN.
velocidade média dos vencedores foi de 92.064 Km/h. Distância percorrida 2.209,536 Km.
Todos os concorrentes usam motores de 4 ou 6 cilindros em linha.
- Outro feito nunca mais igualado foram os Brasier nºs
17,
18 e o Berliet nº
12
terem concluído a prova sem mudarem um único pneu.
- A largada para a prova era feita em fila.
|
Primeira configuração do circuito
|
1924
Ao contrário do esperado, a edição de 1923 não logrou o sucesso internacional
desejado. Talvez o facto de 30, em 33 carros participantes, terem sido classificados
não tenha demonstrado aquela dureza procurada de início. O caso de só três carros
estrangeiros estarem presentes também não trouxe grande impacto mediático. Daí não
se estranhar que em 1924 a organização tenha apertado o regulamento: houve um
aumento das distâncias mínimas e médias obrigatórias para as diversas cilindradas,
a obrigatoriedade de à 5ª volta, o condutor parar nas boxes e montar a capota, que
deveria continuar montada durante as próximas 20 voltas, mostrando que a capota não
era um simples acessório da viatura. No caso de os pneus furarem mais que duas
vezes, o piloto era obrigado a retirar a roda, mudar a câmara de ar e montar o pneu de novo.
Foi então criada um Taça Bienal, além da Trienal, da inauguração da prova.
Como participante estrangeiro apenas um Bentley se deslocou de Inglaterra, mas
desta vez o modelo de 23 já dispunha de travões às quatro rodas, faróis reforçados
e proetgidos. Um Sunbeam e Delage inscritos não verificaram.
E dos 41 carros inscritos apenas 39 partiram...
De inicio o vencedor de 1923, o Chenard & Walker
de Lagache e
Leonard, forçou o andamento,
isolando-se rapidamente. Só o Bignan 3L o acompanhava a 170 km/k. Cinco carros
resolveram encetar a perseguição às duas "lebres", dentre eles o Bentley. Chegara
entretanto a "operação capota". Nas paragens das boxes o record foi para o pequeno
SARA nº45
ex-aecquo com o Montier-Ford nº23,
com 23 segundos perdidos. O Bentley demorou 38 segundos. As 20 voltas com a
capota não acalmaram os ânimos e as médias continuaram altíssimas.
E começaram as primeiras desistências, treze carros não completaram as primeiras
25 voltas por avarias de motores e, um Chenard (o nº9)
por acidente e despiste. À 26ª volta o Chenard & Walker comandante, o dos
vencedores do ano anterior, não resiste e o motor incendeia-se, não sem antes ter
pulverizado o record da prova: 9m 19s à média de 111.168 km/h. O
Ariés nº7
herdou o comando mas, pouco antesda meia-noite desistia com o motor partido. O
Bentley continuava em prova, mas com insistentes paragens para troca de amortecedores
e problemas de caixa de velocidades.
Corridas 12 horas de prova apenas 21 carros estavam operacionais. O
Lorraine nº4
comandava mas o Bentley
era segundo na mesma volta. À 112ª volta o Lorraine vê saltar uma roda e abandona.
O Bentley assume o comando, bem afastado do segundo, e pode abrandar um pouco.
Mas não descansou. Numa paragem de rotina para mudança de pneus, uma das porcas da
roda empenou e não saía... o tempo~passava e o espectro da eliminação esteve presente.
Mas finalmente, deixou as boxes e vencia a edição de 1924. O orgulho francês nem
queria acreditar. O único carro estrangeiro em prova ganhava a prova.
Dos 12 carros classificados, exceptuando o Bentley, só o team Brasier conseguiu
terminar com todos os carros inscritos.
O record à distância não foi batido, faltaram 132 quilómetros.
- Em função do tempo, a corrida passa a ser disputada sempre no mês de Junho. com excepções
para os anos de 1956 (em que as obras na pista demoraram e a corrida foi executada em Julho), 1968 (Greves
na França) e em 1986 (31 de Maio e 1 de Junho).
- Primeira vitória de 100% Inglesa, pilotos Ingleses
(Duff/
Clement) de um carro Inglês
(Bentley)
e de pneus ingleses (Dunlop).
- É utilizada pela primeira vez a mítica passarele Dunlop.
|
|
1925
Se a vitória de 1923 foi quase ignorada a nível internacional, quase uma
prova do Campeonato de França, a vitória inglesa da Bentley teve efeitos
absolutamente contrários. Nos países de língua inglesa foi empolada de uma forma
tal que a supremacia do carro britânico sobre os demais foi considerada como efeito
Histórico, Honra nacional, etc, etc...
Todo este "barulho" à volta da vitória de 1924 deu nova vida às 24 Horas e a
Organização evoluiu mais uma vez. Para começar os donos dos terrenos em que se
corria parte da prova resolveram pedir uma verba muito superior. O A.C.O. não
cedeu e resolveu mudar todas as instalações para um terreno que já lhes pertencia.
E assim as tribunas, as boxes, os gabinetes de imprensa, cronometragem, pesagem,
vistoria, etc, assentaram arraiais em plena recta de... Hunaudières.
O regulamento passou a obrigar à selagem de vários órgâos mecânicos, a manivela
para o motor de arranque foi proibida em todos os carros de ignição eléctrica,
passou a ser exigido um mínimo de vinte voltas entre casa erabastecimento de combustível,
água e óleo. A capota levantada foi obrigatória à partida. Os carros passaram a
alinhar em espinha 45º, na ordem decrescente de cilindrada e os pilotos iniciavam a
prova do lado oposto da pista, correndo para os carros e arrancando. Nascera a
célebre partida de Le Mans que se conservaria até 1969.
O plantel dos concorrentes, subiu aos 49 carros. Inscritos mas faltando às
verificações, um AC,
um Chrysler e a
equipa Omega.
Como facto negativo o ocorrer das primeiras mortes directamente ligadas ao circuito.
André Guilbert, ao
volante de um Ravel,
encontrou a morte num acidente de estrada quando, no sábado de manhã, se dirigia para o
circuito. O carro chocou de frente contra um camião, e
Marius Mestivier
na corrida.
À partida o mais rápido foi Duff,
em Bentley
(havia um prémio para o acontecimento), mas o campeão de GP,
Segrave, em
Sunbeam fez um
arranque tipo canhão, ganhando o comando. Mas a embraiagem ressentiu-se e o
abandono surgiu à 32ª volta. Os Bentley, que tinham feito jogo igual com os
Sunbeam, encostam cedo: o
nº 10 à 19º volta
com falta de gasolina e, o dos vencedores do ano anterior
(nª 9), à 64ª
volta com rutura no tubo de combustível seguido de um pricipio de incêndio. O
orgulho britânico evaporava-se... voltavam os Franceses.
Os Chenard viriam a sofrer de um mal geral: rotura dos radiadores.
Mesmo assim o vencedor de 1923, antes de abandonar à 90ª volta, ainda rubricaria
de novo a melhor volta com 9m 10s à média de 112.987 km/h.
Ao fim de 12 horas dois Lorraines estão no comando, separados por duas voltas. Só
72 quilómetros atrás aparece o Sunbeam nº16
com o chassis partido. O resto da corrida não tem história. O
Lorraine Dietrich
vence com Gérard de Courcelles e
André Rossignol, sendo o
o primeiro carro com motor de 6 cilindros a vencer a prova percorrendo 2233.98 km
e estabelecendo um novo máximo ultrapassando em 24 km a distância de 1923.
Sete dos carros que terminaram a prova ultrapassaram a barreira dos 2000 km. Os dois
OM, nºs 29 e
30 terminam,
ex-aecquo, na 4ª posição geral. Todos os records de cilindrada oram batidos.
problemas do
Lorraine nº4
fizeram-no cair para terceiro e o Sunbeam
consegue o segundo lugar, tapando e fazendo esquecer um pouco o desaire dos Bentley.
- É adoptada a largada tipo "Le Mans": Os carros eram colocados na diagonal
de 45º de um lado da pista, e de outro lado os pilotos, que ao sinal, atravessavam
a pista, entravam nos carros, ligavam os motores e arrancavam, iniciando-se assim a prova.
- 1ª vitória de um carro com motor de 6 cilindros, um
"La Lorraine"
, que foi pilotado pelos Franceses
Gérard de Courcelles e
André Rossignol.
- Um Chrysler vindo dos Estados Unidos e 5 equipas Italianas dão o primeiro passo
internacional da prova.
- Este ano foi marcado também pelas primeiras mortes relacionadas com a prova,
André Guilbert que morreu
no sábado de manhã ao dirigir-se para o circuito quando colidiu de frente com um
camião e
Marius Mestivier
na corrida.
| |
1926
O regulamento da prova previa uma nova subida das médias e nascia a Classificação
por índice de performance.
A noite de Le Mans passou a ser iluminada na zona das
tribunas, com as luzes a serem acesas às oito da noite, sendo desligadas ás seis
da manhã. bem como instalados os primeiros alti-falantes no circuito.
De quatro países estiveram 41 carros à partida. Um
Overland,
acidentado nos treinos, e a equipa
Chenard & Walker
não compareceram.
A ausência dos Chenard era colmatada com a chegada da Peugeot e, com a estreia do
campionissimo André Boillot
que comandou loga na volta inicial e bateu o record de pista logo à segunda passagem.
No entanto, seria o Lorraine Dietrich
segundo classificado
quem ficaria com a volta mais rápida: 9m03s à média de 114.444 km/h.
Apesar de a pista ter recebido novo revestimento, as pedras (os
nºs 29 e
32 desistiram
com o carter e radiador furados), o nevoeiro (responsável pelo acidente do
nº 22) e
subretudo, a areia (colocada para proteger saídas de pista mas que foi o motivo
de atraso e posteriormente eliminação dos três Bentleys) colocaram fora de prova
vários concorrentes. A severidade dos comissários foi altamente contestada quando
mandaram encostar o Peugeot
de Boillot por não permitirem a substituição de um suporte do pára-brisas que se
partira à 82ª volta. O
outro Peugeot
sofrera a desclassificação quando o motor de arranque se avariou, à saída das boxes.
também a equipa Ariès foi azarenta com 2 incêndios nos carros. Só o
nº 49 terminou em
13ª e fechando a lista dos classificados.
Os grandes vencedores foram os Lorraine Dietrich
(Rossignol/
Bloch)
com um primeiro e segundo
e terceiro lugares,
a primeira tripla em Le Mans.
Um OM (nº 19),
que parara na recta de Hunaudères, para proceder a uma reparação de emergência
levou igualmente "cartão vermelho". Mais felizes foram os pilotos dos carros
nºs 5 e
8 que por
correrem com os capacetes desapertados foram, apenas multados em 200 francos
(quantia alta na época).
- Das treze viaturas finalistas, sete ultrapassaram a barreira dos 2000 km.
- São instalados os primeiros alti-falante no circuito.
- O "La Lorraine"
vencedor ultrapassa a barreira dos 100 Km/h de média
horária ao volante novamente
André Rossignol agora com
Robert Bloch.
- São instalados os primeiros alti-falante no circuito.
- Primeira participação de carros da marca Peugeot.
| |
1927
A severidade demonstrada pelos comissários no ano anterior criou uma enorme
celeuma. O regulamento tornou-se ainda mais apertado: as primeiras 20 voltas
continuavam a correr-se com capota: a Organização iria fornecer a todas as marcas
concorrentes um único tipo de gasolina, com nome de código ECO; todo o material,
até aí arrecadado nas boxes para eventuais reparações deixou de ser utilizável.
Só o que seguisse a bordo do carro concorrente serviria para a reparação.
E, um controle antes da prova, obstava a que pudesse haver aldrabice. Houve
ainda revisões das distâncias mínimas impostas, beneficiando um pouco as mais
baixas cilindradas. Tudo isto teve consequências. E, a lista de inscritos foi a
primeira: apenas 23 carros estiveram nas verificações e, um acidente de um dos
carros na manhã do dia da prova, baixou este número para 22, o menor de sempre.
Os Bentley partem em formação, tomando, desde logo, o comando das operações.
Apesar dos esforços desesperados dos Ariès e Salmson a corrida é inglesa. Até
que cai a noite. Até essa hora, apenas quatro carros tinham abandonado. Mas à
26ª volta o Theo Schneider nº11
despista-se em Maison Blanche. O nº12,
que o seguia de perto entra em pião, seguido pelo
nº29 que
rodaav já muito atrasado. A pista fica bloquada mas surgem, acelerador a fundo,
os dois Bentley nº1
e nº2. É o
pânico, barulho de ferros batidos, chiar de travões, gritos de assistentes e
espectadores. Cinco carros "out". Faltava aparecer, entretanto, o
terceiro Bentley
e futuro vencedor. De pé sobre o travão, ziguezagueando entre os destroços, o piloto
consegue safar-se da zona fatídica mas com a frente e lado direiro todo batido, sem
farol, guarda-lamas apontando aos céus. Assim ... terminará com algumas reparações
possíveis, já que as peças suplentes não seguiam, todas, no carro, tal como o
regulamento estipualva. Com o chassis rachado, suspensão e direcção torcidas, o
Bentley rapidamente perde o comando. Ao romper da aurora o
Ariès nº4
possui quatro voltas de avanço. Mas, pelas 14h28m desfaz-se o sonho francês.
Desestindo, em Mulsanne, com o distribuidor partido. O avanço sobre o Bentley era,
ainda de oito minutos, mas a prova terminava às 16h. Quase levado ao "colo", o Bentley
arrancava a ferros a segunda vitória em Le Mans...
O record de distância de 1926 não foi batido mas o nº1 de
Clément pela primeira vez
desceu o tempo por volta abaixo dos 9 minutos: 8m46s á média de 118.142 km/h que
passou a ser o novo record do circuito.
- Segunda vitória de um
Bentley
, desta vez com o
Dr. John Dudley "Benjy" Benjafield e
Sydney Charles Houghton "Sammy" Davis.
- Surge o primeiro concorrente com tracção dianteira, um "Tracta" que termina em 7º lugar.
| |
1928
O regulamento auxilia a participação, diminuindo as taxas de inscrição.
termina também, com as vinte voltas obrigatórias dos carros correrem com capota.
Cria-se a possibilidade de surgirem os primeiros motores sobrealimentados ou
com compressor. A classificação geral À DISTÂNCIA, ganha a importância que,
ainda hoje detêm, com prémios monetários importantes.
Se, até aqui Le Mans se tinha circunscrito à luta pela supremacia entre as
marcas francesas, contra alguns dos ingleses, desta vez tudo é diferente.
A vitória vai discutir-se entre outros dois "colossos": USA e GB.
Para mais empolgar o público, o Stutz
americano é entregue a uma equipa de pilotos franceses e que, durante as primeiras
horas vão aguentar sem complexos, o poderio dos novos Bentley 4,5L.
A prova desenrolou-se num entusiasmo fantástico, o Stutz e os Bentley
pulverizavam todos os tempos e o comando mudava consoante as paragens nas boxes.
De resto, o Bentley vencedor
pilotado por Woolf "Babe" Barnato e
Bernard Rubin
terminou na mesma volta que o Stutz, realizando ambos uma média superior aos
110 Km/h, e separados - ao fim de 24 horas - por apenas 12,678 km.
O record da volta foi largamente batido para 8m07s à média de 127.604 por
Birkin,
que no Bentley nº3
foi quinto da geral.
terminaram classificados 17 carros, dos quais 13 ultrapassaram a barreira dos
2000 kms.
de assinalar que um
Alfa Romeo
inscrito não passou nas verificações por ser
consiedrado "demasiado desportivo" e não obedecer portanto à regra de "Confortável"
que o carro comercial devia oferecer...
- Pela primeira vez há mais pilotos estrangeiros que franceses; 17 contra 16.
- Primeira vitória de
Woolfe "Babe" Barnato e
Bernard Rubin,
que pilotaram um
Bentley.
| |
1929
É, pela História, o ano Bentley:
4 carros nos quatro primeiros lugares.
A edição de 1929 é marcada pela primeira alteração do traçado do circuito,
desaparecendo a célebre ponta dentro da vila, o famoso PONTLIEUE que vários
acidentes e algumas mortes custou. O traçado foi reduzido 922 metros passando
a ser agora de 16.340 km.
Alertados pela ameaça americana do ano anterior, a Bentley fez alinhar os
quatros 4,5L habituais, reforçados pelo novo
Speed Six
que, preparado à pressa para estar presente em Le Mans, não apresentava, ainda,
a sobrealimentação.
Com as ausências de um Du Pont,
um Alvis,
um Oakland
e um Lagonda,
destruído durante os treinos, apenas 25 carros alinharam à partida.
A eliminação automática dos carros que não cumprissem a distância mínima imposta
passou a ser feita após doze horas e no final da prova, mas a última volta não
poderia nunca exceder os trinta minutos.
Dada a partida os cinco Bentley assumiram o comando. O
Stutz nº 4 de imediato,
foi obrigado a mudar de velas e só o nº 6
manteve o ritmo dos ingleses, herdando o quinto posto quando o
Bentley nº 11
desiste à sétima volta. Depois apesar de todos os ataques, o novo
Speed Six
impôs-se com Woolf Barnato e
Birkin
ao volante e os outros 4,5L protegiam-no de qualquer surpresa.
Assim, não admira que a distância percorrida ultrapassasse os 2843 Km e a média
subisse para 118.492 km/h e o record da volta (não esquecer que o circuito diminuira
922 metros) descesse para os 7m21s.
- A
Bentley
consegue a sua 3ª vitória consecutiva, além disto, consegue as 4 primeiras posições.
- Primeira alteração no traçado do circuito que passa a ser agora de 16.340 km.
|
|
1930
A recessão económica de 1929 teve repercussões mundiais. O automóvel sentia, mais
do que nunca, a depressão, tanto no ponto de vista comercial como, por consequência,
tecnológico. Le Mans não podia, pois, fugir à regra: dezanove inscritos, dos quais
dois não alinharam, portanto, apenas dezassete participantes o mais baixo número até hoje.
Pela primeira vez o A.C.O. resolveu admitir concorrentes privados. A Bentley
aproveitou o caso e se, oficialmente apresentou três Speed Six, a nível particular os robustos 4,5L
pertenciam ao Team de Miss Dorothy Paget.
A Corrida iniciou-se com problemas para vários carros cujos motores se ressentiam da má
qualidade do combustível fornecido pela Organização. Os Bentley 4,5L foram os
mais afectados, mas um Stutz
incendiou-se pelo mesmo motivo, e o piloto em pânico saltou do carro em chamas
e por pouco não foi atropeldo pelo Bentley de Woolf Barnato
que, acrobaticamente, evitou o acidente. Na altura a luta era renhida entre o
Bentley de Varnato e o Mercedes
de Caracciola.
O recor da volta mais rápida ia caindo. 7m 01s ou depois 6m 52s para o Mercedes
acabaram por ser batidos por um Birkin,
em estado de graça, com 6m 48s. Durante esta luta várias vezes os carros se tocaram e esteve
eminente o despiste.
Mas, com 83 voltas decorridas o Mercedes abandonou sem bateria.
A partir daí foi mais uma corrida dominada pelos Bentley, que terminaram em
primeiro
e segundo.
Acabava aí a "era" Bentley e os anos seguintes seriam os "Alfa Romeo".
- Primeira participação feminina: as Francesas
Marguerite Mareuse e
Odette Siko com um
Bugatti T40 chegam em 7º lugar.
- Recorde negativo: A provadeste ano é a que tem o menor número de participantes: 17.
- Última das 4 vitórias consecutivas da Bentley, desta vez com
Woolf Barnato e
Glen Kidston.
| |
1931
- Primeira vitória de um carro Italiano em Le Mans, atravéz do
Alfa Romeo 8C2300.
É o primeiro carro com Compressor e com motor de 8 cilindros em linha que vence em
Le Mans, com os pilotos Britânicos
Lord Howe e
Henry Birkin.
- Primeiro carro a passar a barreira dos 3000 Km de distância percorrida (3.017.654).
- Mais um recorde negativo: o menor número de classificados, 6.
- Os pneus de todos os Bugatti dechapam em virtude do excesso de peso.
| |
1932
-
A Alfa Romeo
repete a vitória do ano anterior com o mesmo carro(
Raymond Sommer e
Luigi Chinetti),
bem como o segundo lugar.
- Luigi Chinetti conduziu durante 20 horas.
- Primeira vitória dos pneus Englebert
- Segunda alteração no traçado do circuito qie passa a ser agora de 13.492 km.
|
|
1933
- Pelo terceiro ano consecutivo a
Alfa Romeo
vence a prova, desta vez ocupando os 3 primeiros lugares.
- Segunda vitória para
Raymond Sommer desta vez com
Tazio Nuvolari.
- Chegada emocionante, na última volta troca-se 3 vezes de líder,
e com Nuvolari
a derrotar Chinetti por apenas 400 metros.
| |
1934
| |
1935
- Vitória de um carro Inglês pintado de vermelho que gera alguma polémica
visto existir um acordo entre as equipas de utilizarem cores de acordo com o país, neste
caso a cor oficial Inglesa é o Verde escuro (British Racing Green), o carro em questão é o
Lagonda de
John Hindmarsh e
Luis Fontès.
- A edição deste ano contava com a participação de 10 mulheres.
| |
1936
- Corrida cancelada em virtude das greves ocorridas em França.
|
|
1937
| |
1938
- Vitória de um
Delahaye 135S
com muitos problemas de caixa de velocidades, o carro só terminou com uma relação,
os pilotos vencedores foram (Eugene Chaboud e
Jean Tremoulet).
- Primeira participação de um veículo com o motor V12, um Delahaye 145.
- A pista sofre um alargamento, melhorando as condições da disputa.
| |
1939
| |
1940 a 1948
- A corrida é suspensa devido à 2ª Guerra Mundial.
O circuito é utilizado como pista de aviação pelos aliados e Alemães.
- Neste periodo houve 4 mortes relacionadas com a Segunda Grande Guerra:
- Robert Benoist, que tinha vencido em 1937, era membro da resistência, foi
capturado pelos Alemães, sendo transferido para o campo de concentração de
Buchenwald, onde morreu em Setembro de 1944.
- Woolf Barnato morreu em 1948 durante uma cirurgia.
- Luis Fontès faleceu em combate, quando servia na RAF.
- Jean Trémoulet, faleceu num acidente com uma motocicleta na 2ª Guerra
quando trabalhava para a resistência.
| |
1949
- Primeira participação da Ferrari com 2 carros
Tipo 166 MM
onde um vence e outro abandona, este carro foi o primeiro Ferrari de série, tinha um motor
V12 (o primeiro a vencer com um motor de 12 cilindros) de 1995cc
(Foi o vencedor de Le Mans com menor cilindrada) com uma potência de 140 cv e 3 carburadores Webber.
-
Luigi Chinetti
conduziu durante 23 horas, pois
Selsdon
exagerou no conhaque e não pode conduzir.
- Regulamento baseado no de 1939, mas com admissão de protótipos. Reabastecimentos
simultâneos (água, óleo e combustível) com um intervalo de 25 voltas.
- Utilização de um combustível misto (gasolina, benzol, éthanol) responsaável em parte
de alguns problemas mecânicos.
- Ensaio da ligação de rádio (boxes/pista) a travéz do
Simca de Mahé-Crovetto.
| |
1950
- Primeira participação de carros com motor Diesel, atravéz de um
Delettrez e um
M.A.P.
que abandonam com problemas no motor e com a perca de água, respectivamente.
- Estreia da Jaguar e da Cadillac.
- A Jaguar participa com 3 carros tipo XK-120S, com os quais obtém o
12º e o
15º lugares, o
3º carro abandona.
- A Cadillac obtém o 10º e o 11º lugares com um coupé
"de Ville"
quase de série e um modelo "Spyder" de desenho tão feio que foi apelidado de
"O Monstro", as suas
linhas foram construídas segundo princípios aerodinâmicos trazidos pelos engenheiros
da "Gruman Aircraft", empresa de construção de aviões.
- Louis Rosier e
Jean-Louis Rosier
vencem a prova. Durante muitos anos divulgou-se
que Louis Rosier, o pai, tinha conduzido por 23 horas seguidas, e seu filho, Jean Louis,
somente completara a restante hora.
Esta lenda pertence ao "folclore" de Le Mans, mas segundo depoimento recente do próprio
Jean Louis, os dois conduziram de modo igual o carro, mas devido à semelhança dos nomes o locutor
da prova confundiu-se anunciando sempre o nome de Louis como o piloto em acção.
Foi a primeira e única vez que pai e filho vencem a prova e única da
Talbot.
- Recorde de participantes: 60 carros o mesmo número de 1951, 1953 e 1955.
- Fornecimento pela organização do combustível comum a todas as equipas sendo
este comercial e de 80 octanas.
- É utilizada pela primeira vez a comunicação via rádio entre os dois Cadillac e as boxes.
| |
1951
- Primeira vitória da Jaguar com o modelo
XK-120C
de chassis tubular com
Peter Walker e
Peter Whitehead ao volante.
- Às 16h31 o Ferrari 212 Export
pilotado por Jacques Lariviere teve um acidente
em Tertre Rouge no qual resultou a morte do piloto decapitado por um cabo de ferro.
- A Porsche faz a sua estreia em competições internacionais, usando o modelo
356/4
com 1086cc com a carroçaria em alumínio, com o qual chega em 20º e vence a categoria
até 1100cc.
- Cunningham impressionou pela tecnologia utilizada:
- Um sistema eléctrico indicava a temperatura dos travões (Tambores)
no painel de instrumentos.
- Um sistema de "radio-phone" mantinha o piloto em comunicação directa com as boxes.
- O vencedor ultrapassa pela primeira vez a média de 150 km/h (150.466).
| |
1952
- O Françês Pierre Levegh com um
Talbot Lago T26
conduz sózinho desde a largada, e coloca 4 voltas de avanço sobre o 2º classificado.
Quando faltam 2 horas para o final da prova parte-se a cambota e entrega a vitória
à Mercedes com o 300 SL conduzido por
Hermann Lang e
Fritz Riess esta é a primeira
vitória de um carro Alemão com pilotos Alemães e equipado com pneus Alemães (Continental)
em Le-Mans e a primeira de um carro de carroçaria fechada.
- A Mercedes enssaiou no carro de Kling um travão aerodinâmico situado na traseira do tejadilho. Este
sistema que reduzia a velocidade de ponta não seria utilizado na corrida.
- Cunningham à semelhança de Levegh
conduziu ao todo 20 horas.
- Foi introduzida a gasolina de 90 octanas.
- Recorde absoluto de abandonos 40 de 57 participantes.
|
1953
- Segunda vitória da Jaguar com o XK-120C
(também conhecido por Tipo C) que utiliza pela primeira vez travões de disco,
sistema que era utilizado nos aviões e desenvolvido pela firma aeronáutica "Lockheed"
vitória esta atravéz de Tony Rolt e de
Duncan Hamilton.
- Foi criado o Campeonato Mundial de marcas a 8 de Março em Sebring, do qual as 24 Horas de
Le Mans faziam parte.
- A inscrição da Nash Healey é feita pela marca americana com chassis britânico, motor americano e carroçaria italiana.
- Primeira utilização de um aparelho chamado Cinemómetro, antecessor dos actuais
radares. Foi utilizado para medir a velocidade na recta das Hunaudiéres, o sector
mais veloz da pista, com mais de 5 km de extensão.
- O vencedor é o primeiro participante a ultrapassar os 4000 Km, mais exactamente
4.088,064 Kms.
|
1954
- Surge o Jaguar tipo D que se tornará um dos carros mais famosos da prova, não
só por ser triplo vencedor (vencerá em 55, 56 e 57) como pelo facto de neste ano
de estreia conquistar o segundo lugar.
- Vitória de José Froilan Gonzalez
(carinhosamente apelidado de "The Bull of the Pampas" ou "Cabezón") e de
Maurice Trintignant num
Ferrari sobre o
Jaguar de
Rolt e de
Hamilton.
Foi um grande duelo, pois o Ferrari tinha problemas de ignição, e houve um verdadeiro
dilúvio durante a prova. Apesar disto o carro italiano venceu com 1 volta
de vantagem.
- Ausência da Maserati que faltou ao escrutineo devido a problemas mecânicos no camião que os transportava
e como os carros não tinham matricula não puderam ir pelos próprios meios, ficaram retidos em Nevers.
- A Ferrari utiliza nos carros oficiais travões oriundos da Fórmula 1.
- Aumento da largura da pista para 8 metros na secção Mulsanne-Arnage e a curva de Indianápolis.
- Pela primeira vez foi utilizado um circuito de autocarros que faziam a ligação entre Le Mans e o circuito com um intervalo de 5 minutos.
- O Principe Bernhard da Holanda acompanha Maurice Trintignant na
volta de honra apesar da chuva que se abatia sobre o circuito.
- Para comemorar os 50 anos do ACO em 1956, irá proporcionar uma corrida de 2 ou 3 horas só para as mulheres e/ou
namoradas dos pilotos.
|
1955
- Primeira vitória do Jaguar D
de Ivor Bueb e de
Mike Hawthorn (que entrará
para a história ao ser um dos 4 pilotos quie conseguiram vencer as 24 Horas de Le Mans e
o campeonato mundial de Fórmula 1 (1958).
- Novo revestimento na porção Tertre-Rouge / Mulsanne, abertura de uma passagem subterrânea sobre a
estrada de Tours após a curva de Tertre Rouge).
- Le Mans iria entrar na história do automobilismo pelo maior acidente jamais
ocorrido numa pista, eram 18 horas e 28 minutos quando o
Mercedes 300 SLR
pilotado por Pierre Levegh e o
Austin Healey 100S de
Lance Macklin chocaram-se, em
seguida o Mercedes explodiu, lancando o motor e o eixo dianteiro sobre o enorme
público que enchia a bancada, matando 83 pessoas incluindo o próprio Levegh e ferindo
cerca de 100. Às 2 da manhã, cumprindo ordens de fábrica, toda a equipa da Mercedes,
que liderava a prova com Fângio,
retirou-se da prova. No final do ano a Mercedes abandona o automobilismo, só regressando
nos anos 90.
Comentou-se na altura que os Mercedes teriam corrido com combustível não regulamentar, o
que teria facilitado a explosão do carro, facto este nunca confirmado. O acidente
teve tanta repercussão, que até o Presidente da Republica, René Coty, e o Papa da época
Pio XII, manifestaram-se, apresentando as condolências às famílias das vítimas.
- Os dois Moretti inscritos não iniciaram a corrida porque chegaram ao circuito alguns minutos após as 14h00,
o regulamento dava como limite as 14 horas e foi cumprido à risca.
- O reabastecimento de combustível era efectuado por um medidor volumétrico.
|
1956
- Comemoração do 50º aniversário do ACO.
- Nas obras efectuadas ao circuito após o acidente do ano passado, foram gastos 300 milhões de francos, 70.000 m3 de
terra movidos, 161 toneladas de ferro usado nas várias construções, instalações de linhas telefónicas entre as box e a
estação de sinalização.
- Quarta vitória da Jaguar,
com Ron Flockhart e
Ninian Sanderson.
Devido ao pavoroso acidente de 1955, fazem-se grandes reformas na pista, principalmente
na zona em frente às boxes e bancadas principais, onde ocorreu o acidente,
- Quarta alteração ao traçado passando agora para 13.469 km.
- Outra das alterações que verificadas após o acidente é que nenhum piloto
poderá dirigir mais de 14 horas, ou dar mais de 72 voltas consecutivas.
Ao mesmo tempo a corrida é excluída do campeonato mundial de endurance.
- É utilizada pela primeira vez a sinalização luminosa.
- Charles de Cortanze é nomeado director de corrida adjunto (deu a bandeira de chegada).
|
|
1957
- Record da Jaguar
com 5 carros inscritos e classificados entre os 6 primeiros (1º, 2º, 3º, 4º e 6º)
os vencedores foram Ron Flockhart e
Ivor Bueb.
- Novo record da volta mais rápida feita a mais de 200 (203.015) km/h.
- Para assegurar o interesse do público e das equipas de fábrica, deixa de existir
qualquer limite de cilindrada do motor e de gasto de combustível.
- Aparecimento da DKW com uma viatura a 2 tempos e carroçaria de plástico.
|
1958
|
1959
- Primeira e única vitória da Aston Martin
com Carroll Shelby e
Roy Salvadori, e dos pneus Ingleses Avon
- A partir deste ano os Ferrari são equipados com travões de disco.
- Primeira utilização dos testes de pré-qualificação em Abril.
- Os Ensaios oficiais (qualificação) de Quarta e Quinta à noite foram encurtados em uma hora.
- A IBM apoia na classificação e dufusão dos resultados.
- Criação de uma ficha técnica de todas as viaturas verificadas.
|
1960
- Vitória da Ferrari
com Paul Frére e
Olivier Gendebien.
- Estreia do Porsche 356 Carrera Abarth com 135 Cv, 805 Kg e 220 Km de velocidade máxima
desenhado e construídos por Italianos, consegue a 10ª
posição na geral.
|
1961
- Mais uma vitória da Ferrari
com Phil Hill e
Olivier Gendebien.
é a segunda vitória de Hill, que neste ano também é campeão mundial de
Fórmula 1 também com a Ferrari.
- A informática chega a Le Mans, a classificação é dada por computadores IBM.
|
1962
|
1963
- Estreia do Lola GT e do AC Cobra Ford, do primeiro vai derivar o Ford GT,
e o segundo é o tradicional AC Bristol inglês, origináriamente equipado
com o clássico motor de 6 cilindros em linha tão ao gosto dos ingleses,
mas que recebeu um V8 Americano.
- Apartir deste ano a posição na grelha é dada pelos tempos obtidos
nos treinos, que até agora era dada pela cilindrada do motor.
- A Ferrari domina por copmpleto a prova deste ano, a vitória pertenceu ao
250 P
pilotado por Lorenzo Bandini
e Ludovico Scarfiotti,
e ocupa os 6 primeiros lugares.
- É a primeira vitória de um carro de motor trazeiro.
- Estreia acidentada dos Alpine M63, infelizmente, um dos carros conduzido por
Christian "Bino" Heins
derrapa no óleo derramado pelo carter partido do Aston Martin de
Bruce McLaren, e
sofre uma violenta colisão com um poste, quando o carro se incendeia, os
comissários não podem ajudar, pois além do fogo, têm que ajudar outros
pilotos que derraparam no mesmo óleo, um deles é Jean-Pierre Manzon,
num Rene Bonnet, outro é
Jacques Dewes cujo
Aston Martin foi parar a uma vala,
e o terceiro piloto é Roy Salvadori, que participa
em Le-Mans hà 10 anos consecutivos (desde 1953), e vencera em 1959, testemunha
a agonia de "Bino" que morreu incinerado dentro do carro pois ninguém o
tirou do carro em chamas, nem apagou o fogo enquanto Christian ainda
estava pouco ferido, além das queimaduras, tinha sofrido forte pancada
na cabeça. Christian é a mais nova vítima fatal da prova.
- Utilização recomendada de cintos de segurança.
|
1964
- Vitória do Ferrari 275 P
de Jean Guichet e de
Nino Vacarella.
- Estre oficial do Ford GT 40, um carro projectado para a Ford por Eric Broadley,
da pequena fábrica inglesa Lola Cars, tanto os modelos GT 40 Mk I como
os Mk II foram construídos ns inglaterra, dos 3 participantes, todos
Mk I, 2 abandonaram com problemas na caixa de velocidades, e o
terceiro abandona após um princípio de incêndio. Um deles entretanto faz
a melhor volta da prova demonstrando grande potencial.
Os carros foram entregues pela Ford a 3 preparadores, Shelby-American,
Alan Mann Racing e Holman-Moody.
- Primeira participação do Porsche 904/4 GTS, o primeiro Porsche
com carroçaria de fibra de vidro e polyester, conseguiram a
7ª,
8ª,
10ª,
11ª e
12ª posições.
- É utilizado pela primeira vez o muro de protecção em frentes às boxes.
- Ensaio da cronometragem electrónica graças a um emissor e receptor colocado em cada viatura.
|
1965
- Vitória do Ferrari 250/275 LM
de Masten Gregory e de
Jochen Rindt, este que
é um dos 4 pilotos a vencer em Le Mans e o mundial de Fórmula 1.
A saga dos Ford GT continua, dos seis modelos participantes, 5 são da
Shelby-American, a cilindrada é aumentada para os 4,7 litros, tendo todos
abandonado e um deles feito a melhor volta na corrida e a pole-position.
Os Ford de 1964 tiveram muitos problemas com a caixa de velocidades Colotti
de 4 velocidades não sincronizadas, além disso a potência foi aumentada em 50 cv
com isto a Ford trocou a caixa Colotti pela ZF de 5 velocidades sincronizadas
e o problema de caixa desapareceu, surge assim o GT 40 Mk II, uma evolução
do GT 40 Mk I que a maior diferença é o motor de 7 litros de cilindrada.
- Primeira vitória dos pneus Goodyear.
|
1966
- Entram 12 Ford GT 40, nove abandonam, os 3 restantes todos modelo
Mk II, obtêm o
1º,
2º e
3º
lugares, a pole position e a melhor volta na corrida. Henry Ford II, que
dera a largada, sorri satisfeito: provara a Enzo Ferrari que os seus carros
poderiam derrotar os Ferrari.
- Esta foi a chegada mais disputada de Le mans, com carros da mesma
marca, o Ford Mk II de Chris Amon/
Bruce McLaren vence o
carro de Denny Hulme/
Ken Miles, por apenas 20 metros.
- Primeira participação da marca americana Chaparral na versão 2D.
O criador e principal piloto era o Norte Americano
Jim Hall que possui uma equipa de
Fórmula CART, as principais características do carro eram o chassis construído em fibra
de vidro (uma inovação) e a sua caixa de velocidades Hidramática.
- Primeira participação da Matra, com 3 carros do modelo M620/BRM, como pilotos
surgiam os estreantes Henri Pescarolo
e Jean-Pierre Jaussaud.
- Primeira participação do Belga Jacky Ickx e
do Italo-Americano Mario Andretti.
- Primeira vitória também de um carro equipado com um motor V8.
- O Ford GT vencedor é o primeiro carro a alcançar a histórica marca dos
200 km/h de média, mais exactamente 201.795 km/h.
- Estreia do Porsche 906 também chamado de "Carrera 6" e obtém
os 4º,
5º,
6º e
7º lugares.
- A prova deste ano ficou envolta em polémica, já que houve 2 vencedores, os
morais e
os oficiais,
baseada num regulamento discutível em vários pontos de vista.
Hulme e
Miles fizeram uma prova inteligente,
comandaram em doze das 24 horas de prova e, devido ao avanço conquistado, reduziram
um pouco a velocidade nas últimas horas. Isto permitiu a aproximação do segundo carro
de Shelby, o de Amon e McLaren e, como a terceira posição era ainda pertença de outro
Ford, de Holman Moody
os responsáveis da Ford idealizaram uma chegada bombástica, em
termos de publicidade: fazer os três carros cortarem a linha de chegada em formação
- tipo V - o célebre V da vitória. Os carros 1 e 2 estavam na mesma volta, distaciados de
muitas centenas de metros. A Miles-Hulme é sinalizado, das boxes, que reduza o andamento
para "esperar" por Amon-McLaren e Bucknum-
Hutcherson
, e assim terminarem em formação. E terminaram. Com o carro 1 à frente, seguido do 2 e do 5.
Veio então a "bronca": a distância que separava o carro 1 do 2, à chegada, era inferior
em vinte metros ao que os separava na linha de partida. Logo, logicamente, e por força
de um regulamento próprio de Le Mans, ao fim de 24 horas de prova a equipa de
Amon/McLaren tinha percorrido mais 20 metros que Hulme/Miles. E como a classificação
era pela distância percorrida...
Miles e Hulme não gostaram. Tinham reduzido o andamento por indicação superior das boxes
e automáticamente acusaram os dirigentes da Ford de os terem posto nos segundo lugar,
pois que, pessoalmente, desconheciam essa "rábula" do regulamento. A Ford foi acusada
de ter atraiçoado o seu piloto mais sacrificado, não ter reconhecido os seus desejos
de vitória tripla de "endurance" (*) e ter procurado ganhos publicitários com os nomes
de Chris Amon e Bruce McLaren, dois nomes muitos conhecidos mundialmente, da Fórmula 1,
em prejuíso da melhor equipa. Muito se escreveu sobre o assunto e, ainda hoje, de concreto
nada se sabe. Os responsáveis da Ford afirmaram não saberem de tal subtileza do
regulamento e assim atiram a responsabilidade da decisão para cima da Organização.
(*) - Daytona, Seabring e Le Mans.
|
1967
- A Ford participa com uma nova versão do GT40, o Mk IV, construído
em Michigan pela KAR KRAFT, dos 4 carros participantes na prova chegam um em
1ª
e outro em 4ª
tendo como vencedores os Americanos Dan Gurney e
A. J. Foyt
que este ano já havia conseguido a sua terceira vitória nas 500
milhas de Indianápolis, tendo sido o único piloto a vencer
as duas provas míticas no mesmo ano.
- Primeira vitória totalmente Americana: Carro Americano,
motor Americano, pilotos Americanos e pneus Americanos.
- Segunda participação da Chaparral, desta vez foram usados 2 modelos
2F, os pilotos eram Phil Hill/
Mike Spence (da BRM de F1), e
Bruce Jennings/
Bob Johnson, nenhum
dos carros terminou a prova.
- O vencedor é o primeiro concorrente a alcançar a marca histórica
de 5.000 km, mais exactamente 5.232.900.
- Estreia dos Porsche 907 e 910, que terminaram em
5º e
6º lugares
respectivamente.
- Primeira participação de pneus slick na prova com os Alpine-Renault A210.
- É utilizada pela primeira vez champanhe na cerimónia do pódium e imortalizado um
gesto que ainda hoje perdura na competição automóvel, quando A. J. Foyt entusiasmado
com a vitória agitou de tal maneira a garrafa de champanhe que o entornou todo...
|
1968
- A Porsche lança o modelo 908, último degrau antes do 917.
- Vitória de Pedro Rodriguez e
Lucien Bianchi num
Ford GT 40
- Primeira vitória de um carro equipado com pneus Firestone.
- Corrida corajosa de Henri Pescarolo
no Matra 630, que
corre durante a noite sob chuva e sem limpa-pára-brisas.
- Quinta alteração ao traçado passando agora para 13.461 km.
- São ensaiados os números fluorescentes nos carros.
|
|
1969
- Lucien Bianchi, vencedor da prova do ano passado
sofre um acidente fatal em Março quando treinava para a corrida,
Bianchi perdeu o controlo do
Alfa Romeo T33 SE na recta de Mulsanne, bateu num poste, incendiando-se e
Lucien teve morte imediata.
- A prova teve início pelas 14 horas devido às eleições.
- Última participação do Ford GT 40, que dos 5 participantes 3 chegam ao
final em 1º,
3º e
6º, na
chegada mais renhida com carros de marcas diferentes, por
apenas 120 metros, tendo trocado de posição 8 vezes na última volta.
Ickx teve por
companheiro Jackie Oliver
e o Porsche de
Herrmann foi pilotado
também pelo estreante Larrousse.
- Pela primeira vez o mesmo carro vence a prova duas vezes consecutivas.
- Estreia do Porsche 917, o carro chega a Le Mans depois da sua
estreia nos 1000 Km de Spa-Francorchamps, ainda com problemas de juventude,
o carro seria considerado como um dos melhores carros de competição jamais
construídos, dos 3 carros que a marca inscreveu para a prova 2
abandonam por problemas mecânicos e o
terceiro
sofre um violento acidente
ainda no início da prova, no qual faleceu o piloto Inglês
John Woolfe,
sobre este acidente descobriu-se que, na pressa de ligar o carro e arrancar,
John não colocou o cinto de segurança, isto pode ter sido a causa da sua
morte. Era comun os carros rodarem nas primeiras voltas sem terem o cinto colocado
pois o piloto entrava no carro e dava a partida, o que explica o hábito
da não colocação dele.
Quanto ao Porsche 917 tinha um motor de 12 cilindros opostos construído
todo ele em magnésio, titânio e alumínio, construído tendo por base
a união de 2 motores do 911 de 6 cilindros refrigerado a ar. A carroçaria
era de fibra de vidro e resina de poliéster, os cilindros eram cromados,
bielas de titânio forjado e discos nas 4 rodas, a altura era de 92 cm,
menos 8 que o Ford GT 40, que já era extremamente baixo e ficava distante
do solo apenas 10 cm.
- Jacky Ickx, em protesto
com o tipo de largada, atravessa a pista a passo, instala-se ao volante e liga o motor quando o 907 de
Stommelen já abordava Tertre Rouge. Por ironia Jacky Ickx
ganha a prova com um final de prova nunca antes visto ao impor-se ao
Porsche 908 de Larrousse/
Herrmann por... 120 mts.
- Os Porsche 917 e 908 estão equipados com ailerons móveis ligados à suspensão.
|
1970
- A largada deste ano foi efectuada com os carros "em espinha" mas desta
vez o piloto encontrava-se dentro do carro e com o motor desligado, em
consequência do acidente ocorrido no ano passado com
John Woolfe.
- O piloto e actor Steve McQueen
que filmava a corrida para fazer o filme
"Le Mans" e
Jackie Stewart,
campeão do mundo de Fórmula 1 em 1969, que corriam com um
Porsche 917, não
conseguem largar devido a desentendimentos com a direcção de prova.
- Um recorde negativo: O menor número percentual de carros que completaram
a prova, 7 entre os 51 que largaram (13%), entre os 7, 5 são Porsche e
os restantes 2 são Ferrari, nada mal para a fábrica alemã, que tinha
23 carros na largada (7 eram 917), contra 11 Ferraris 512.
O duelo aguardado era tanto, que esta prova foi anunciada como "A Batalha de Titâs".
- Primeira participação em Le Mans de um carro com motor rotativo,
O Chevron B16 com
motor Mazda de 2 rotores, que não consegue terminar a prova.
- Primeira participação do Inglês Derek Bell,
que vencerá a prova por 5 vezes. Nesta estreia o piloto conduziu um
Ferrari 512 S
com Ronnie Peterson e não conseguiu terminar a prova.
- É autorizada a participação de um 3º piloto em cada carro.
A novidade demora a ser adoptada pelas equiipas e só em 1971 aparece um carro
com 3 pilotos, e o vencedor com 3 pilotos só aparece em 1977, mas
só se torna permanente a partir de 1985.
- Primeira vitória absoluta da
Porsche com o modelo 917,
e a primeira também de um motor de 12 cilindros opostos (boxer).
|
1971
- Em treinos não oficiais, Jackie Oliver
foi cronometrado a 395 km/h.
- Segunda vitória da Porsche com o modelo 917,
desta vez pilotado por Helmut Marko e
Gijs van Lennep.
- O carro vencedor bate vários records em Le Mans, tais como:
- Média horária de 222.304 km/h
- Distância percorrida de 5.335.313 Km.
- Outro Porsche 917, o de Pedro Rodriguez e
Jackie Oliver encarrega-se
de fazer a pole à média de 250.069 Km/h e a volta mais
rápida em corrida à média de 244.387 Km/h.
O Record da Pole só será derrubado por outro Porsche um 962 que em 1985
conseguirá 251.815 Km/h a maior média de toda a história de Le-Mans.
- Alguns dos 917 apareceram com a cilindrada aumentada para 4.9L igualando-se
aos Ferrari 512M, modelo que sucedeu aod 512 S.
- É adoptada a largada lançada, antecedidos por um Pace Car.
- Recorde de presença de carros Porsche na grelha de partida,
dos 49 inscritos, 33 são Porsche, isto é 67% seguida da
Ferrari com 10 carros.
|
1972
|