Portugueses em Le Mans
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Portugueses em Le Mans

Neste espaço gostaria de contar algumas das muitas histórias que os nossos compatriotas protagonizaram e protagonizam em Le Mans, tanto como pilotos, mecânicos, comissários de pista, jornalistas... enfim de Portugueses.
Para tal gostaria de ter a vossa colaboração.




  • OS PORTUGUESES

    24 Horas de Le Mans `99'

    "As cartas de um Baralho..."

        Pela primeira vez, e com o impacto mediático destas ocasiões, "todos" dizem, escrevem ou sentem que, desta vez, um Português pode ganhar em Le MANS. Fala-se num Portuguës.. e melhor seria referir um PILOTO português... pois o Domingos Piedade, como Director Desportivo da NEW MAN JOEST RACING, conseguiu a vitória em dois anos consecutivos: 1984/85.
        É História, um grande feito... mas o Domingos é mais visto como um cidadão do Mundo Automóvel, um Europeu que não esperou pela CEE... E, juntamente com o seu filho, Marc, pode orgulhar-se de CINCO vitórias - CINCO!!!

        Após a fiasco do ano anterior a Mercedes regressa "em grande". Carros bem preparados, com testes infindáveis, com um pormenor e uma logística diferente da que a "afundou" em 98. Foram Campeões do Mundo.., mas perderam a prova que mais interessava -Le Mans- e, com o seu quê de sobranceria e incompetência. Este ano não Pode e não DEVE falhar... Equipas de ponta, rápidas, experientes e que incluem, sempre, um piloto alemão. Para a mítica corrida francesa incluir um piloto francês é aquela publicidade que ninguém descura... E o terceiro piloto de cada carro terá nacionalidade diferente (São os "mercados", os "curriculuns", os dotes profissionais e o estar no sítio certo... no lugar certo!). O Domingos Piedade, sempre ele, está lá! Lamy tem "curriculum", tem títulos na Alemanha e... é Bom!!!
        Se o novo Mercedes, batido nos treinos, for "aquilo" que se diz... então um Piloto nacional pode vir a inscrever o nome nos vencedores de Le Mans... Á Toyota, Panoz (???) Audi, BMW e Nissan competirá a papel de oposição. Ainda, por cima, em dia de eleições europeias...

        Os outros pilotos nacionais jogam em GTS. Desta vez só os Monteiro (Manuel e Michel - pai e filho) alinham num Porsche. A que faltam cavalos.., muitos cavalos. Mas porque o Estoril Racing goza das simpatias em França, porque são "habitués" dos circuitos, talvez que uma qualquer equipa com problemas, lhes possa ceder um motor mais encorpado. Para que corram e terminem, esquecendo os problemas e a desistência a um quarto de hora do final, no ano passado.
        Os Chrysler Viper GTS-R são a "montada favorita" dos outros pilotos portugueses. Os três irmãos Breyner estão incluídos no Team Oreca, semi-oficial com as cores CICA. Podem lutar pela primazia nos GTS no caso do "insólito" visitar o Viper Team Oreca. Na Chamberlain Engineering, Ni Amorim pode ser um sólido "out-sider" e terminar numa posição honrosa.
        Tiago Monteiro, um "nome" ascendente na Fórmula 3 gaulesa, recém saído de uma vitória, vai estrear-se na Paul Belmando Racing. Sem conhecer a pista e o carro está lá para "aprender"... Mas, não seria a primeira vez que uma estreia ditava uma vitória, na Classe ou no Grupo... Em Le Mans, o impossível também acontece...



    Como foi... Le Mans '98

        Um entusiasmo transbordante, umas centenas de milhares de espectadores pagantes, deveria fazer pensar duas vezes os mandantes da FIA. Fazem regulamentos anacrónicas, obrigam os teams a pagamentos de fortunas e, depois, o Campeonato é de um descrédito total. As Marcas não investem em novos carros, em provas sem publicidade e respectivo retorno, os títulos esquecem-se, mal são alcançados.
        Mas o Automobile Club de L'Ouest continua teimoso. Com as suas regras próprias e á revelia de qualquer Campeonato Oficial. O peso da tradição mostra-lhes um número de inscrições sempre crescente, direitos televisivos cada vez maiores e audiências mundiais que ultrapassam a Fórmula 1 e se equivalem aos grandes acontecimentos olímpicos. Talvez, por isso, tornem o diálogo difícil... e continuam "orgulhosamente sós" mas, no bom sentido...
        Já este ano a Audi regressou aos Protótipos com "coupés" e "spiders". A BMW investiu em novos motores e carros. A Panoz lança "spiders". A Mercedes abandona o modelo Campeão FIA e apresenta carros novos. A Toyota não descansa enquanto não vencer. A Nissan cria "barquettas". A Lola, a Riley & Scott marcam presença. Mas... a Porsche afastou-se e a Ferrari só pensa na Fórmula 1...
        Mas 98 viu a estreia de vários carros. Preparados em cima da hora os problemas de juventude são, sempre, evidentes. Os novos BMW com problemas de motor e de aerodinâmica. Um capot traseiro "salta" a altas velocidades. Depois, são as jantes que partem... Nos Mercedes os problemas de fiabilidade estão presentes... já não são corridas de duas ou três horas... Os Toyota GT One "confessam" que precisam de tempo, de testes, de experiência, de caixas de velocidade novas.
        O trauma de Le Mans 55 está bem presente nos alemães. Não arriscam a "marca" preferindo a abandono. Mercedes e BMW já estão ausentes nas terceira e quinta horas. A quarta hora a juventude dos Toyota começa a atrasar os primeiros classificados mas, pelas nove da noite, Brundle assina um novo record de volta... O Porsche de Alboreto encosta ás 22h e, pelas 23h a aventura Toyota termina. Dois Porsche GT1 estão na frente.
        Problemas vários e uma boa recuperação da Toyota fazem renascer a esperança até que, a hora e meia do final da corrida, a transmissão "diz" que, desta vez, não há milagre. E, quase sem chama, a prova arrasta-se e termina com mais uma vitória Porsche.

    ... com os portugueses

        Lamy e Beretta tinham a título de GT2, práticamente, no bolso mas o Campeonato FIA é uma coisa e Le Mans... outra. Tentavam a vitória... e o segundo lugar, atrás de um carro do mesmo Team, "soube a pouco." O Viper perde 48 minutos de uma assentada (quase dez voltas) com o colector de escape partido e, depois, com o selector da caixa de velocidades encravada. Duas participações, sempre terminando, é de constar de qualquer "curriculum'...
        Ni Amorim, no Viper/Chamberlaïn (com Gonçalo Games e Manuel Mello-Breyner) tentava, dentro do esquema de uma equipa privada "versus" Oficial, a melhor classificação possível. Um problema idêntico ao sofrido por Lamy/Beretta, (Caixa/transmissão) fez-lhes perder 3h e 30 m, nas boxes. Eram terceiros em GT2, seguindo os dois Oreca, antes do "azar". "...isto, é Le Mans!"
        Mas... havia um Porsche, um 911 GT2, da Estoril Racing... de Manuel Monteiro, de seu filho Michel Monteiro, com Maïsonneuve, piloto francês com certo crédito e que qualificara o carro. Ninguém, entre nós, falava deles. Mas... estavam lá!
        As horas iam passando e o 911 continuava. A paragem de Lamy era um balde de água fria para quem só exigia a vitória em GT2. O Viper Chamberlain, com outras "desculpas", mantinha a simpatia. Mas... Estoril Racíng??? Era medíático, SIC, etc... Era 18° da geral á 23a hora!!! O sonho, a chama da Glória, morre a um quarto de hora da fim. O motor... "out".! Ainda tentaram o empurrão, o fazer a volta final. Mas, o regulamento é Lei: o carro tem que cortar a meta. E... não cortou. Não foi fïnalïsta, não consta da História de Le Mans... A não ser como azarado. Mas, desde 1923, quantos carros não terminaram a última volta? E, quantos pararam uns metros antes para, mesmo de empurrão, quando o vencedor cumpria 24 horas, cortarem a lïnha de chegada? Injusto?, talvez.., mas é o Mito e, nisto reside a mística de 'Le Mans"...


    E.., o Le Mans '97 dos Portugueses?

        Sem contar com a infeliz participação de Araújo Cabral, em 72, com o Lola Team de Jo Bonníer, que faleceu no acidente, durante a noite, e obrigou ao abandono da equipa, havia, em 91, um português em Le Mans e... num Porsche GT1. Não era de fábrica mas... era um Porsche de "top".
        Não havia hipóteses, não era um vencedor. Mas... era o LamY e a esperança é sempre a última a morrer...
        E, foi o melhor lugar conquistado até hoje: 5° na Geral e 3° na Categoria GT1.     Teve problemas mecânicos de aquecimento, de adaptação, de resistência, uma enorme pressão psicológica. Não conseguiu, práticamente, dormir. As últimas voltas, sempre á espera que o carro falhasse, foram dramáticas. Mas... acabou!!! e como melhor carro "PRIVADO" e, isto quer dizer não Oficial, não de Fábrica !!!
        Claro que, este ano, oficial e de fábrica, o mínimo que lhe exigem é a vitória, E... "no coments...".
        Desde 96 que a"familia" Mello-Breyner (e o Cascais Shopping) tentavam o Guiness de Le Mans: 3 irmãos, no mesmo carro, nunca acontecera. Em 96 a qualificação falhara por pouco. Com outros meios, outra logística e um Team garantido de antemão, o projecto tinha pernas para andar. E... andou! Correram, andaram bem, tiveram os problemas habituais mas não insolúveis e, terminaram 11°s da Geral e 3°s em GT2. Foram mais "badalados" em França, desde o Le Maine ao Autohebdo, do Canal Plus ao DSF, do que entre nós. Boa reportagem, publicitada, é certo, pelo Cascais Shopping e Jumbo, só saiu na revista OQ... E, porquê???
        Por ser uma revista do "social"?
        Quando os pilotos dão o que têm e tentam arranjar o que não têm, ainda por cima correndo por nós e, para nós... as críticas de certos "críticos" deveriam ficar espetadas nos rails das Hunaudíéres... ou nos bancos de areia de Mulsanne ou Arnage...
    Jorge Curvelo
    99

  • O "Porra´s Bar"
    (Primeira participação de uma equipa de comissários de pista da ACDME.)

      Na comitiva que se deslocou a Le Mans havia um elemento cuja palavra "preferida", no meio do imenso vocabulário utilizado, era a vernácula expressão "porra".
      Nas idas, mais ou menos frequentes, a um bar situado nos arredores do acampamento onde a comitiva da ACDME estava instalada, o dono do "refúgio" estranhou a itensidade da expressão e resolveu indagar, junto do "utilizador", a sua tradução. Descontraídamente e com o espírito de improviso que caracteriza as nossas gentes, ele resolveu o axioma, fornecendo uma tradução para o intraduzível:
      "Porra é um vinho do Porto com mais de 30 anos."
      Com todo o respeito que nos merece a centenária "instituição alcoólica nacional", a expressão e respectiva interpretação acabou por ser de tal forma aceite no local que o homem do bar deixou (quase) de conhecer outros "vernaculismos", para apenas gastar o nosso... claro de depois de convenientemente e "cientificamente" explicado.

      Por tudo isso, o local de "culto" ficou conhecido, entre a comitiva nacional, pelo "Porra´s bar".
    Volante (1993/06/28)
    ACDME (1994)

  • Primeiros no "bowling"
      Para lá do louvor, a equipa portuguesa de comissários sagrou-se vencedora, por equipas, do torneio de "bowling" que, em plena cidade de Le Mans, opôs comissários organizadores e pilotos:
      "Percorremos oito quilómetros a pé, em bicha, com as nossas camisolas iguais, entoando canções tipo "dos fuzileiros", até chegarmos ao local onde se desenrolava a prova e onde estavam à nossa espera. Pelo caminho, quando atravessávamos as passadeiras, faziamos parar o trânsito, pois ninguém arrancava no sinal enquanto toda a equipa não tivesse acabado de atravessar. Fomos recebidos com uma salva de palmas, à chegada."
      Equipados como deve ser, "com luvas e tudo", o melhor representante nacional terminou em "quarto lugar mas, por equipas, fomos os vencedores."
    Volante (1993/06/28)


  • Derrapagens de... Pedro Chaves
      Na segunda vez que fui a le Mans, fiz equipa com o brasileiro Thomas Erdos e o inglês Mike Newton. O Erdos, pelas quatro da manhã, ficou desidratado e incapaz de continuar a conduzir. Por isso, eu tive que fazer a parte dele. Não sei quantos turnos fiz, mas estive ao volante umas 12 horas, o que não é pêra-doce numa pista como Le Mans, onde o Saleen chegava a atingir os 322 km/h. A corrida acabava pelas quatro horas da tarde e, quando faltavam uns 45 minutos para o fim, em Mulsanne, a curva em ângulo recto a seguirà recta das Hunaudières, ouvi uma enorme explosão e fiquei em roda livre. Nessa altura, estava a guiar cinco a dez segundos mais lento que o normal, que é o que toda a gente faz, quase no final da corrida e quando não há já nada a perder ou a ganhar - apenas se quer chegar ao fim.
      Estava a sair da curva, meti 2ª, depois 3ª e... pum! O "cockpit" ficou cheio de pó e eu, de tão cansado que estava, não tinha a mínima ideia do que tinha sucedido. Encostei fora da pista e nem sequer me lembrava como tinha feito a curva, se tinha ou não subido o corrector, por exemplo. Estava eu ainda dentro do carro, que tem uma janelinha minúscula, aí com um palmo, quando um comissário, vestido com o fato do ACO, que organiza a prova, se abeirou e perguntou, em bom português: «Então pedro? Está tudo bem?».
      Aí é que fiquei mesmo baralhado: não só não sabia o que tinha sucedido, como nem sequer sabia onde estava, se no Estoril ou noutra pista qualquer!
    Autosport (2007/06/11)



  • Classificações
    PilotoAno
    EquipaCarro NºCarroClassificação
    Carlos Manuel Reis1960Stanguellini Bialbero 740Sport 701/850Abandono: Distribuição, Motor
    Mário Araújo «Nicha» Cabral1972Lola T 280Sport 2501/3000Abandono: Embraiagem
    Manuel Mello Breyner1997Porsche 911 GT2GT211º (3º )
    Pedro Lamy1997Porsche 911 GT1GT15º (3º )
    Pedro Mello Breyner1997Porsche 911 GT2GT211º (3º )
    Tomaz Mello Breyner1997Porsche 911 GT2GT211º (3º )
    Gonçalo Gomes1998Chrysler Viper GTS-RGT221º (7º )
    Manuel Mello Breyner1998Chrysler Viper GTS-RGT221º (7º )
    Manuel Monteiro1998Porsche 911 GT2GT2Abandono: Motor
    Michel Monteiro1998Porsche 911 GT2GT2Abandono: Motor
    Ni Amorim1998Chrysler Viper GTS-RGT221º (7º )
    Pedro Lamy1998Chrysler Viper GTS-RGT213º (2º )
    Manuel Mello Breyner1999Chrysler Viper GTS-RLMGTS15º (4º )
    Manuel Monteiro1999Porsche 911 GT2LMGTSAbandono: Motor e Acidente com o n.2 (Chicane Dunlop)
    Michel Monteiro1999Porsche 911 GT2LMGTSAbandono: Motor e Acidente com o n.2 (Chicane Dunlop)
    Ni Amorim1999Chrysler Viper GTS-RLMGTS14º (3º )
    Pedro Lamy1999Mercedes-Benz CLRLMGTPAbandono: Retirado Apos o acidente do nº 5
    Pedro Mello Breyner1999Chrysler Viper GTS-RLMGTS15º (4º )
    Tiago Monteiro1999Chrysler Viper GTS-RLMGTS17º (6º )
    Tomaz Mello Breyner1999Chrysler Viper GTS-RLMGTS15º (4º )
    Ni Amorim2000Chrysler Viper GTS-RLMGTS9º (2º )
    Luis Marques2001Porsche 911 GT3-RSLM GT17º (8º )
    Ni Amorim2001Chrysler LMP 2001LMP 900Abandono: Motor
    Pedro Lamy2001Chrysler LMP 2001LMP 9004º (3º )
    Tiago Monteiro2001Chrysler Viper GTS-RLM GTS20º (4º )
    Miguel Ramos2002Saleen S7-RLMGTS23º (5º )
    Pedro Lamy2002Dallara LMP 02LMP9005º (4º )
    Pedro Matos Chaves2002Saleen S7-RLMGTS23º (5º )
    Luis Marques2003Chrysler Viper GTS-RLMGTSAbandono: Motor
    Pedro Matos Chaves2003Saleen S7-RLMGTS22º (6º )
    João Barbosa2004DallaraLM1Abandono: Saída de pista
    João Barbosa2005Dallara DO02 OrecaLMP1 - LMP 90016º (5º )
    Miguel Ramos2005Ferrari 550 Maranello ProdriveLM GT1Abandono: Saída de pista
    Ni Amorim2005Courage C65LMP2Abandono: Problema mecânico
    Pedro Lamy2005Aston Martin DBR 9LM GT1Abandono:
    João Barbosa2006Radical SR9LMP220º (5º )
    Miguel Pais do Amaral2006Lola B05/40LMP2Abandono: Caixa de velocidades
    Pedro Lamy2006Aston Martin DBR9LMGT110º (5º )
    João Barbosa2007Pescarolo 01LMP14º (4º )
    Miguel Pais do Amaral2007Lola B05/40LMP2Abandono:
    Pedro Lamy2007Peugeot 908LMP12º (2º )

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