Pela primeira vez, e com o impacto mediático destas ocasiões, "todos" dizem, escrevem ou sentem
que, desta vez, um Português pode ganhar em Le MANS. Fala-se num Portuguës.. e melhor seria referir
um PILOTO português... pois o Domingos Piedade, como Director Desportivo da NEW MAN JOEST RACING,
conseguiu a vitória em dois anos consecutivos: 1984/85.
É História, um grande feito... mas o Domingos é mais visto como um cidadão do Mundo Automóvel,
um Europeu que não esperou pela CEE...
E, juntamente com o seu filho, Marc, pode orgulhar-se de CINCO vitórias - CINCO!!!
Após a fiasco do ano anterior a Mercedes regressa "em grande". Carros bem preparados, com testes
infindáveis, com um pormenor e uma logística diferente da que a "afundou" em 98. Foram Campeões do
Mundo.., mas perderam a prova que mais interessava -Le Mans- e, com o seu quê de sobranceria e
incompetência. Este ano não Pode e não DEVE falhar... Equipas de ponta, rápidas, experientes e que
incluem, sempre, um piloto alemão. Para a mítica corrida francesa incluir um piloto francês é
aquela publicidade que ninguém descura... E o terceiro piloto de cada carro terá nacionalidade
diferente (São os "mercados", os "curriculuns", os dotes profissionais e o estar no sítio certo...
no lugar certo!). O Domingos Piedade, sempre ele, está lá! Lamy tem "curriculum", tem títulos na
Alemanha e... é Bom!!!
Se o novo Mercedes, batido nos treinos, for "aquilo" que se diz... então um Piloto nacional pode
vir a inscrever o nome nos vencedores de Le Mans... Á Toyota, Panoz (???) Audi, BMW e Nissan
competirá a papel de oposição. Ainda, por cima, em dia de eleições europeias...
Os outros pilotos nacionais jogam em GTS. Desta vez só os Monteiro (Manuel e Michel - pai e filho)
alinham num Porsche. A que faltam cavalos.., muitos cavalos. Mas porque o Estoril Racing goza das
simpatias em França, porque são "habitués" dos circuitos, talvez que uma qualquer equipa com
problemas, lhes possa ceder um motor mais encorpado. Para que corram e terminem, esquecendo os
problemas e a desistência a um quarto de hora do final, no ano passado.
Os Chrysler Viper GTS-R são a "montada favorita" dos outros pilotos portugueses. Os três irmãos
Breyner estão incluídos no Team Oreca, semi-oficial com as cores CICA. Podem lutar pela primazia nos
GTS no caso do "insólito" visitar o Viper Team Oreca. Na Chamberlain Engineering, Ni Amorim pode
ser um sólido "out-sider" e terminar numa posição honrosa.
Tiago Monteiro, um "nome" ascendente na Fórmula 3 gaulesa, recém saído de uma vitória, vai
estrear-se na Paul Belmando Racing. Sem conhecer a pista e o carro está lá para "aprender"...
Mas, não seria a primeira vez que uma estreia ditava uma vitória, na Classe ou no Grupo... Em Le
Mans, o impossível também acontece...
Como foi... Le Mans '98
Um entusiasmo transbordante, umas centenas de milhares de espectadores pagantes, deveria fazer
pensar duas vezes os mandantes da FIA. Fazem regulamentos anacrónicas, obrigam os teams a
pagamentos de fortunas e, depois, o Campeonato é de um descrédito total. As Marcas não investem em
novos carros, em provas sem publicidade e respectivo retorno, os títulos esquecem-se, mal são
alcançados.
Mas o Automobile Club de L'Ouest continua teimoso. Com as suas regras próprias e á revelia de
qualquer Campeonato Oficial. O peso da tradição mostra-lhes um número de inscrições sempre
crescente, direitos televisivos cada vez maiores e audiências mundiais que ultrapassam a Fórmula 1
e se equivalem aos grandes acontecimentos olímpicos. Talvez, por isso, tornem o diálogo difícil...
e continuam "orgulhosamente sós" mas, no bom sentido...
Já este ano a Audi regressou aos Protótipos com "coupés" e "spiders". A BMW investiu em novos
motores e carros. A Panoz lança "spiders". A Mercedes abandona o modelo Campeão FIA e apresenta
carros novos. A Toyota não descansa enquanto não vencer. A Nissan cria "barquettas". A Lola,
a Riley & Scott marcam presença. Mas... a Porsche afastou-se e a Ferrari só pensa na Fórmula 1...
Mas 98 viu a estreia de vários carros. Preparados em cima da hora os problemas de juventude
são, sempre, evidentes. Os novos BMW com problemas de motor e de aerodinâmica. Um capot traseiro
"salta" a altas velocidades. Depois, são as jantes que partem... Nos Mercedes os problemas de
fiabilidade estão presentes... já não são corridas de duas ou três horas... Os Toyota GT One
"confessam" que precisam de tempo, de testes, de experiência, de caixas de velocidade novas.
O trauma de Le Mans 55 está bem presente nos alemães. Não arriscam a "marca" preferindo a
abandono. Mercedes e BMW já estão ausentes nas terceira e quinta horas. A quarta hora a juventude
dos Toyota começa a atrasar os primeiros classificados mas, pelas nove da noite, Brundle assina um
novo record de volta... O Porsche de Alboreto encosta ás 22h e, pelas 23h a aventura Toyota
termina. Dois Porsche GT1 estão na frente.
Problemas vários e uma boa recuperação da Toyota fazem renascer a esperança até que, a hora e
meia do final da corrida, a transmissão "diz" que, desta vez, não há milagre. E, quase sem chama,
a prova arrasta-se e termina com mais uma vitória Porsche.
... com os portugueses
Lamy e Beretta tinham a título de GT2, práticamente, no bolso mas o Campeonato FIA é uma coisa
e Le Mans... outra. Tentavam a vitória... e o segundo lugar, atrás de um carro do mesmo Team,
"soube a pouco." O Viper perde 48 minutos de uma assentada (quase dez voltas) com o colector de
escape partido e, depois, com o selector da caixa de velocidades encravada. Duas participações,
sempre terminando, é de constar de qualquer "curriculum'...
Ni Amorim, no Viper/Chamberlaïn (com Gonçalo Games e Manuel Mello-Breyner) tentava, dentro do
esquema de uma equipa privada "versus" Oficial, a melhor classificação possível. Um problema
idêntico ao sofrido por Lamy/Beretta, (Caixa/transmissão) fez-lhes perder 3h e 30 m, nas boxes.
Eram terceiros em GT2, seguindo os dois Oreca, antes do "azar". "...isto, é Le Mans!"
Mas... havia um Porsche, um 911 GT2, da Estoril Racing... de Manuel Monteiro, de seu filho
Michel Monteiro, com Maïsonneuve, piloto francês com certo crédito e que qualificara o carro.
Ninguém, entre nós, falava deles. Mas... estavam lá!
As horas iam passando e o 911 continuava. A paragem de Lamy era um balde de água fria para quem
só exigia a vitória em GT2. O Viper Chamberlain, com outras "desculpas", mantinha a simpatia.
Mas... Estoril Racíng??? Era medíático, SIC, etc... Era 18° da geral á 23a hora!!! O sonho, a
chama da Glória, morre a um quarto de hora da fim. O motor... "out".! Ainda tentaram o empurrão,
o fazer a volta final. Mas, o regulamento é Lei: o carro tem que cortar a meta. E... não cortou.
Não foi fïnalïsta, não consta da História de Le Mans... A não ser como azarado. Mas, desde 1923,
quantos carros não terminaram a última volta? E, quantos pararam uns metros antes para, mesmo de
empurrão, quando o vencedor cumpria 24 horas, cortarem a lïnha de chegada? Injusto?, talvez..,
mas é o Mito e, nisto reside a mística de 'Le Mans"...
E.., o Le Mans '97 dos Portugueses?
Sem contar com a infeliz participação de Araújo Cabral, em 72, com o Lola Team de Jo Bonníer,
que faleceu no acidente, durante a noite, e obrigou ao abandono da equipa, havia, em 91, um português
em Le Mans e... num Porsche GT1. Não era de fábrica mas... era um Porsche de "top".
Não havia hipóteses, não era um vencedor. Mas... era o LamY e a esperança é sempre a última a morrer...
E, foi o melhor lugar conquistado até hoje: 5° na Geral e 3° na Categoria GT1.
Teve problemas mecânicos de aquecimento, de adaptação, de resistência, uma enorme pressão
psicológica. Não conseguiu, práticamente, dormir. As últimas voltas, sempre á espera que o carro
falhasse, foram dramáticas. Mas... acabou!!! e como melhor carro "PRIVADO" e, isto quer dizer não
Oficial, não de Fábrica !!!
Claro que, este ano, oficial e de fábrica, o mínimo que lhe exigem é a vitória, E... "no coments...".
Desde 96 que a"familia" Mello-Breyner (e o Cascais Shopping) tentavam o Guiness de Le Mans:
3 irmãos, no mesmo carro, nunca acontecera. Em 96 a qualificação falhara por pouco. Com outros
meios, outra logística e um Team garantido de antemão, o projecto tinha pernas para andar. E...
andou! Correram, andaram bem, tiveram os problemas habituais mas não insolúveis e, terminaram 11°s
da Geral e 3°s em GT2. Foram mais "badalados" em França, desde o Le Maine ao Autohebdo, do Canal
Plus ao DSF, do que entre nós. Boa reportagem, publicitada, é certo, pelo Cascais Shopping e Jumbo,
só saiu na revista OQ... E, porquê???
Por ser uma revista do "social"?
Quando os pilotos dão o que têm e tentam arranjar o que não têm, ainda por cima correndo por
nós e, para nós... as críticas de certos "críticos" deveriam ficar espetadas nos rails das
Hunaudíéres... ou nos bancos de areia de Mulsanne ou Arnage...
Jorge Curvelo
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